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11 de fevereiro | Dia Internacional de Mulheres e Meninas na Ciência

11-02-2026

Assinala-se esta quarta-feira, 11 de fevereiro, o Dia Internacional de Mulheres e Meninas na Ciência, uma efeméride instituída pela Organização das Nações Unidas, em 2015, com o propósito de promover o acesso pleno e igualitário à ciência e de reforçar a participação de mulheres e raparigas neste domínio. A data surge num contexto em que, apesar dos avanços registados nas últimas décadas, os estereótipos de género continuam a influenciar escolhas académicas e profissionais, condicionando o percurso de muitas jovens.

Os números revelam, ainda assim, sinais encorajadores. Em Portugal, a participação feminina no emprego em ciência e tecnologia é relativamente elevada quando comparada com a média europeia: cerca de 52% das pessoas empregadas nestas áreas são mulheres, segundo dados do Eurostat de 2023. Entre cientistas e engenheiras, a percentagem é ligeiramente inferior, mas mantém-se acima da média da União Europeia, rondando os 49%.

É neste universo que se insere Mónica Gaboleiro,de 31 anos, aluna de doutoramento em Engenharia e Gestão Industrial no DEMI, que representa uma nova geração de investigadoras. A jovem reconhece que o género ainda pesa no quotidiano profissional. “Sim, influencia — embora nem sempre de forma explícita. A engenharia continua a ser uma área maioritariamente masculina, o que, em alguns contextos, pode exigir às mulheres um esforço adicional para ver a sua competência reconhecida.

Ao mesmo tempo, identifica nesse percurso um contributo próprio. “Acredito que o meu percurso enquanto mulher também contribuiu para uma maior sensibilidade para temas como a ergonomia, saúde e bem-estar dos trabalhadores e a conciliação entre desempenho e sustentabilidade”, sublinha, apontando para abordagens mais centradas nas pessoas, hoje cada vez mais valorizadas na investigação e na indústria.

A experiência académica tem sido, descreve, simultaneamente positiva e exigente. “É um percurso que exige resiliência, confiança e persistência, num contexto marcado por elevada pressão por resultados, publicações e financiamento”, afirma. Ainda assim, considera tratar-se de “um processo de grande autoquestionamento, que nos tira da zona de conforto, mas que promove um crescimento pessoal muito significativo”.

Quanto às oportunidades para as mulheres nas engenharias, defende que a prioridade deve ser a igualdade de condições. “Igualdade não significa criar vantagens específicas, mas avaliar cada pessoa pela sua competência e pelo seu trabalho, independentemente do género.” Recorda, contudo, a importância de referências femininas ao longo do percurso, desde o contexto familiar ao académico, como fonte de inspiração e prova de que é possível ocupar espaços tradicionalmente masculinos.

A conciliação entre investigação, contexto empresarial e vida pessoal permanece um dos maiores desafios. “Não é simples e exige um equilíbrio constante. A chave tem sido a organização, a flexibilidade e o apoio, tanto institucional como familiar”, explica, defendendo que a ciência beneficia quando se aproxima da realidade das empresas, desde que existam condições para uma vida equilibrada.

Para atrair mais jovens mulheres às engenharias, Mónica aponta a necessidade de maior visibilidade e combate precoce aos estereótipos. “É importante mostrar que há mulheres na engenharia, em diferentes fases da carreira, e que não existe um único ‘perfil’ para ser engenheira.”

A mensagem final dirige-se às estudantes que ponderam seguir investigação: “Terem a coragem e a irreverência de serem aquilo que querem ser, sem se deixarem limitar por preconceitos ou estereótipos.

Num dia em que celebramos mulheres e meninas na ciência, o testemunho reforça a ideia de que o caminho constrói-se  com oportunidades reais, exemplos próximos e persistência.